Nesses oito andares
Há familiaridade nos azulejos beges do banheiro
Na vista das copas verdes da redenção
Na velha séria que sobe a avenida João pessoa
Na claridade
amarelada das janelas baixas
Há um medo passivo da perda de identidade
dos segredos desvelados
da carne nua exposta ao frio
Há sonhos perdidos embaixo dos viadutos
Nas paredes pichadas
Nos bares fechados
Na buzina do algodão doce que passa no domingo a tarde
Há pedaços de mim nessa cidade caótica
Nesses oito andares