terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Nesses oito andares



Há familiaridade nos azulejos beges do banheiro
Na vista das copas verdes da redenção
Na velha séria que sobe a avenida João pessoa
Na  claridade amarelada das janelas baixas

Há um medo passivo da perda de identidade
dos segredos desvelados
da carne nua exposta ao frio

Há sonhos perdidos embaixo dos viadutos
Nas paredes pichadas
Nos bares fechados
Na buzina do algodão doce que passa no domingo a tarde

Há pedaços de mim nessa cidade caótica


Nesses oito andares